Artigo: “Minerar carvão é coisa do passado”

Por Lara Lutzenberger, ambientalista, presidente da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger 

Porto Alegre, capital gaúcha com tão convidativo nome, há tempos é negligenciada em disputas pouco alegres. Com o Largo dos Açorianos, recuperamos espaço turístico e histórico da Praia de Belas, e na orla temos lazer e contemplação destacados por magnífico pôr do sol no Guaíba e o Parque Estadual do Delta do Jacuí.

Hipnotizados na luminosidade cintilante do lago, não reparamos nas ilhas e banhados ainda preservados na margem oposta. Mas estes são fonte primordial de vida, creche para diminutos seres, girinos e alevinos, que se abrigam de correntes aquáticas adversas, e mamíferos, répteis e pássaros que ali se refrescam e encontram alimento fácil. Para nós, os banhados, além de fornecerem visuais lindos, nutrem ecossistemas produtivos e são reguladores e reservatórios hídricos. Como imensas esponjas naturais, absorvem, filtram, armazenam e disponibilizam água.

Já sobrevivente a dragagens e aterros, efluentes domésticos e industriais, o delta vive sob o premente risco de ter seu nível alterado por rebaixamento do lençol freático adjacente ou ser acidificado e contaminado por pirita e misturas de até 170 minerais. Caso se concretize a Mina Guaíba, com seus 4,5 mil hectares _ cinco bairros Sarandi a somente 535 metros de suas margens, fragiliza-se mais a habitabilidade, o abastecimento de água, peixes, arroz e a pureza do ar regional.


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Se tudo der certo, apesar de riscos inclusive mercadológicos, revira-se uma imensa área, emitem-se CO2 e particulados insalubres, gastam-se água e energia para produzir gás sintético, amônia, ureia, metanol, areia e cascalho convertidos em US$ 23 bilhões, que se esgotam em tão somente 20-30 anos. Se algo der errado, os prejuízos vão desde financeiros até o comprometimento, talvez súbito e irreversível, das condições de vida de toda a Região Metropolitana.

Para que Porto não perca a alegria que lhe resta, fomentemos meios e fontes sustentáveis. Minerar carvão é coisa do passado, nessa dimensão e localização é coisa de louco!

Fonte: GaúchaZH

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